Pelo fim da teta ex-presidencial

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

Um mês e dez dias depois que o ex-presidente Lula foi preso, provocada, a Justiça determinou a suspensão de suas mordomias (oito servidores, dois veículos e cartão corporativo) custeadas pelo cofre da União. O fez, acatando a tese de que, recolhido à sede da Polícia Federal em Curitiba, o ex-governante não necessita de quem o guarde, de veículos para sua movimentação e nem de quem o assessore, pois não tem direito a vida profissional, política ou social externa. É uma providência que, num país sério e com serviço público ágil e organizado, teria sido adotada “ex-officio” pela repartição encarregada da prestação dos serviços – no caso o gabinete institucional da Presidência da República – pelo simples fato de o ex-governante não estar em condições de desfrutar das benesses que a lei lhe faculta.

Por outro lado, é extremamente questionável, um país com tantos problemas econômicos e acumulador de elevados déficits entre o que arrecada e o que gasta com o serviço público, ter de custear a vida de ex-governantes e, além disso, pagar pelas suas excentricidades e revanches, como as viagens da ex-presidente Dilma Rousseff, que se movimenta dentro e fora do país para criticar o governo, a Justiça e os que a depuseram.  O regime democrático permite que o faça, mas o honesto seria fazê-lo às próprias custas!

Todos os que chegam à chefia da Nação, são vitoriosos profissional ou politicamente e reúnem condições para, depois de deixar o poder, continuar a vida política ou viver dos proventos que amealhou durante a atividade. Logo, a manutenção de uma estrutura para servi-los é puro desperdício. Até agora o contribuinte brasileiro paga as mordomias de José Sarney, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Roussef. A partir de 1º de janeiro de 2019, Michel Temer aumentará a lista. Todos eles, sem distinção, têm condições de viver às próprias custas, como fazem os trabalhadores – públicos e privados – e os ex-ocupantes de ministérios e cargos dos três poderes. Elaborar e aprovar uma lei que garante o custeio da vida de ex-presidentes é uma das altas iniquidades que a classe política cometeu contra todos nós, brasileiros. A visibilidade que Lula traz para o tema sugere a oportunidade de questionar essa injusta benesse e propor o seu fim imediato.

Todo cidadão que chegou à chefia do governo é alguém com vida estruturada e portador das condições o próprio custeio. Não há a menor razão para que continue, como parasita, pendurado nas tetas do erário. Principalmente porque, diferente dos Estados Unidos, por exemplo, onde os ex-presidentes se recolhem, não voltando à atividade política, os daqui continuam concorrendo às eleições e não têm qualquer atividade ou geram algum benefício à sociedade decorrente do fato de terem, um dia, governado o país. Pelo contrário, os que possuem seus “institutos”, os mantém como ONGs e com eles ainda podem ganhar dinheiro…

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