Treinamento para urgência e emergência melhora assistência na atenção primária

Foto Fábio Silva

Profissionais do Samu que atendem a chamados da Atenção Básica já perceberam reflexos positivos do treinamento

De março a maio de 2018, a Prefeitura de Contagem, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), promoveu o 1º Curso de Urgência da Atenção Básica da Rede de Saúde. Dividida em cinco módulos, a ação preparou profissionais de Unidades Básicas de Saúde (UBS) e de unidades com Estratégia de Saúde da Família (ESF) para as situações de urgência e emergência que podem chegar a esses locais da rede de saúde, que são mais próximos da população e a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Cerca de 300 profissionais da rede SUS/Contagem foram capacitados, entre médicos e enfermeiros.

Hoje, quase um ano após a realização da capacitação, os reflexos positivos do treinamento já são percebidos por profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Contagem, que atendem a chamados oriundos da Atenção Básica.

O enfermeiro e especialista em urgência e emergência e pré-hospitalar Gleison Sérgio Ferreira da Silva integra o Núcleo de Educação Permanente (NEP) do Samu Contagem, instância envolvida na capacitação oferecida no ano passado. Juntamente com a médica Giovana Ferreira Zanin Gonçalves, que é também ginecologista e obstetra e cirurgiã, ele afirma que os protocolos ligados à urgência e emergência, relacionados a situações de instabilidade de funções vitais, com ou sem risco de morte imediata, estão sendo mais bem aplicados no âmbito da atenção básica atualmente do que há um ano. Essa percepção tem como base os atendimentos realizados pelo Samu Contagem para os encaminhamentos de pacientes feitos por equipes de UBSs e de unidades de ESF.

“Em relação à dor torácica, por exemplo. No treinamento, foram abordados protocolos de Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) e de suporte de vida, bem como o atendimento inicial às urgências e o reconhecimento do paciente gravemente enfermo. Antes, em algumas situações, percebíamos que, quando esses profissionais solicitavam atendimento do Samu, não tinham a iniciativa de iniciar todos os protocolos universalmente aceitos para lidar com dor torácica. Atualmente, percebo uma melhora significativa. Melhorou bastante, como nas situações em que, quando chegamos à unidade, pacientes que aguardavam por atendimento já estão recebendo manobra de reanimação cardíaca das equipes”, afirma a médica Giovana Zanin.

Profissionais das unidades básicas precisam saber lidar com os imprevistos

É muito importante que os profissionais da Atenção Básica estejam aptos a estabilizar as pessoas que chegam aos postos de saúde necessitando de avaliação e tratamento imediato, de forma a equilibrar e a encaminhar esses usuários aos serviços de urgência e emergência. Para estarem preparados para também lidar com essas situações, é fundamental que médicos e enfermeiros das UBSs e ESFs estejam capacitados.

O caso é que situações de urgência e emergência, que necessitam de procedimentos como a realização de manobras de reanimação cardiorrespiratória, ventilação mecânica com ambu e a administração de medicamentos para manejar intoxicações, estão mais relacionadas ao nível da urgência e emergência, que inclui Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e pronto-socorros. Mas essas situações podem também se apresentar às equipes do nível de atenção primária à saúde, que inclui UBSs e unidades de ESF.

Nessas circunstâncias, médicos e enfermeiros que atuam na Atenção Básica podem ser os únicos profissionais disponíveis naquele momento em que assistência em urgência e emergência é o fiel da balança entre vida e morte.

Por isso, as equipes da Atenção Básica precisam conseguir reconhecer os riscos da situação e realizar os manejos necessários, sustentando as funções vitais do paciente até que seja possível definir um diagnóstico específico, até que o tratamento apropriado seja instituído, até a chegada das equipes do Samu.

 

“Nas UBS, os profissionais não dispõem de todos os recursos técnicos para manejar algumas condições clínicas. Nesse treinamento do ano passado, nós os orientamos para manejarem pacientes em situações de urgência e emergência, até que as equipes do Samu possam chegar. As unidades de suporte básico e avançado do Samu, por sua vez, dispõem de equipamentos similares aos de uma sala de emergência. Uma ambulância avançada, por exemplo, dispõe de todos os equipamentos para lidar com situações de urgência e emergência e de estabilização de pacientes. E quando precisa, a gente corre para o hospital”, explica Gleison Sérgio.

Treinamento constante

A coordenadora de Enfermagem do Samu Contagem, a enfermeira Flávia Fabianne de Brito e Freitas, reforça que, por trás dos atendimentos e salvamentos, há um trabalho constante de capacitação e de reciclagem dos profissionais. “Hoje, a gente vê que, quando os profissionais da Atenção Básica pedem apoio, já aplicaram os protocolos de atendimento básico de urgência. Eles dão o primeiro atendimento até a chegada do Samu. Hoje, o paciente é melhor manejado clinicamente nas situações de urgência do que há um ano, quando o curso ainda não havia sido ministrado. Esse atendimento inicial, esse primeiro suporte é fundamental para salvar as pessoas e pode fazer a diferença entre vida e morte. E por realizarmos uma gama muito ampla de atendimento, também investimos constantemente em treinamentos e capacitações voltados a todos os profissionais do Samu”, assinala a coordenadora.

O Samu Contagem também oferta, via Núcleo de Educação Permanente (NEP), composto por três enfermeiros e um médico, capacitações em empresas, escolas e outras entidades. Para solicitar esse serviço, o interessado deve enviar um e-mail para coordenacaosamucontagem@gmail.com, detalhando informações como data, local, público-alvo e proposta de trabalho. A demanda será avaliada pelos profissionais do NEP.

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