Quando os dados falam, as mulheres deixam de ser invisíveis
Por Viviane França (*)
A Prefeitura de Contagem, por meio da Secretaria de Defesa Social, lançou o Diagnóstico de Segurança das Mulheres no Município, um instrumento que vai além das estatísticas e nos convida a olhar para a cidade a partir da experiência real das mulheres que a habitam, circulam e constroem cotidianamente.
O diagnóstico nasce da escuta qualificada. Foram ouvidas mais de 600 mulheres, em todas as regionais do município, de diferentes idades, realidades e trajetórias. O que emerge desse levantamento é um retrato duro, mas necessário: o medo ainda organiza a rotina feminina. Medo que altera trajetos, limita horários, afasta mulheres dos espaços públicos e, muitas vezes, silencia violências que permanecem naturalizadas.
Os dados revelam que a violência contra a mulher não se restringe ao ambiente doméstico, embora ele siga sendo um dos espaços de maior risco. A cidade, para muitas mulheres, também não é plenamente segura. Locais ermos, transporte público e a importunação sexual fazem parte de uma experiência urbana marcada pela vigilância constante e pela autoproteção.
Há, ainda, um aspecto revelador: o acesso à informação influencia diretamente a capacidade de reconhecer a violência. Mulheres com maior escolaridade tendem a identificar com mais clareza situações de importunação e abuso, enquanto outras tantas vivenciam essas violências sem nomeá-las como tal. Ao mesmo tempo, os dados indicam que estamos no caminho certo ao investir em programas de prevenção, informação e presença do poder público no território, mostrando que políticas bem estruturadas produzem impacto real na vida das mulheres. Um dos dados mais relevantes contidos no diagnóstico, é que 92% das mulheres se sentem mais seguras com a presença da Guarda Civil nas ruas.
Esse trabalho é resultado da atuação da Superintendência de Prevenção à Violência, em articulação com a Guarda Civil de Contagem, por meio do Programa Elo por Elas. Uma política pública que se baseia na prevenção, na informação, no acolhimento e na atuação integrada da rede de proteção, aproximando o poder público da realidade vivida pelas mulheres.
O diagnóstico também reafirma algo essencial: a violência contra a mulher não se enfrenta de forma isolada. Ela exige uma rede intersetorial, que una segurança pública, assistência social, saúde, educação, justiça e sociedade civil. Exige políticas baseadas em evidências e equipes preparadas para acolher sem revitimizar.
Ao tornar visível aquilo que tantas vezes foi tratado como “normal”, o Diagnóstico de Segurança das Mulheres transforma vivências individuais em responsabilidade coletiva. Ele orienta decisões, fortalece políticas públicas e reafirma que o direito à cidade, à vida e à liberdade só será pleno quando for garantido a todas as mulheres.
O diagnóstico está disponível para acesso público no Portal Mulher, no site da Prefeitura de Contagem. Falar de segurança das mulheres é falar de democracia, de justiça social e de futuro. E Contagem dá um passo importante ao escolher escutar, diagnosticar e agir! Some conosco nessa luta e seja um Elo na defesa das mulheres!
*VIVIANE FRANÇA é Mulher, Advogada, Pesquisadora, Mestre em Direito Público, Especialista em Ciências Penais, autora do livro Democracia Participativa e Planejamento Estatal: o exemplo do plano plurianual no município de Contagem. Secretária de Defesa Social de Contagem/MG, Sócia do França e Grossi Advogados.