Período chuvoso acende alerta para dengue e vacinação ganha papel estratégico no Brasil

Texto produzido por:
Maria Carolina Marques de Sousa Araújo
Estudante de Medicina do 11° período –
Interna de Medicina: Santa Casa de Misericórdia de São Carlos/SP
Willian Augusto Ferreira da Silva
Socorrista terapeuta ocupacional, estudante de Segundo Módulo,
técnico em enfermagem Escola Santa Rita.
Atuou no resgate no Rio Grande do Sul em 2024 e Brumadinho 2019

Com a intensificação do período de chuvas, autoridades de saúde reforçam o alerta para prevenção da dengue nas regiões metropolitanas do país, onde o acúmulo de água parada favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Neste cenário, a ampliação da vacinação no Sistema Único de Saúde (SUS) é considerada uma das principais estratégias para reduzir casos graves, hospitalizações e mortes.
Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil enfrentou, em 2024, o maior surto já registrado, com cerca de 6,5 milhões de casos prováveis e mais de 6,3 mil mortes. Em 2025, houve queda significativa para aproximadamente 1,7 milhão de casos e 1,7 mil óbitos, resultado atribuído à combinação entre vacinação, vigilância epidemiológica e ações de controle do vetor.
A incorporação da vacina contra a dengue no SUS representa um marco histórico na saúde pública brasileira. O imunizante tetravalente Qdenga, desenvolvido pela farmacêutica Takeda, demonstrou eficácia global próxima de 80% contra formas sintomáticas e redução expressiva nas hospitalizações. A vacina protege contra os quatro sorotipos do vírus, ampliando tanto a proteção individual quanto coletiva.
Paralelamente, o avanço tecnológico nacional também se destaca. O Instituto Butantan desenvolveu a primeira vacina brasileira de dose única contra a dengue, atualmente em fase de aplicação em municípios-piloto para avaliação de impacto. A produção nacional fortalece a autonomia sanitária do país e reduz a dependência de importações em cenários de alta demanda.
A estratégia nacional prioriza crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, faixa etária que apresenta maior incidência e taxas proporcionalmente elevadas de hospitalização. O esquema vacinal inclui duas doses, com intervalo de três meses, sendo essencial completar o ciclo para garantir proteção adequada.
Especialistas destacam que, além de reduzir hospitalizações e mortalidade, a vacinação contribui para diminuir a circulação viral, aliviar a sobrecarga do sistema de saúde e gerar impacto econômico positivo, com redução de custos hospitalares e afastamentos do trabalho. Outro benefício é o chamado efeito coletivo indireto, que reduz a transmissão e protege grupos mais vulneráveis.

Impacto para Belo Horizonte e Minas Gerais
Minas Gerais figura historicamente entre os estados com maior número absoluto de casos de dengue. Em Belo Horizonte, fatores como alta densidade populacional, urbanização e presença disseminada do mosquito Aedes aegypti criam condições ideais para transmissão. Desta forma, a ampliação da imunização pode ter impacto direto na redução de internações e na prevenção de formas graves, como dengue hemorrágica e síndrome do choque da dengue.
Apesar dos avanços, autoridades reforçam que a vacinação deve ser associada às medidas tradicionais de prevenção, como eliminação de água parada, limpeza de recipientes e monitoramento ambiental. Segundo especialistas, a combinação entre imunização e controle vetorial representa a estratégia mais eficaz para conter epidemias e reduzir o impacto da dengue no Brasil.

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