Programação completa do Mês de Enfrentamento ao Racismo

– 6 de maio (quarta-feira)

  • Roda de Conversa – Fortalecimento das comunidades de matriz africana no combate ao feminicídio e na preservação do meio ambiente.
  • Horário: 19h
  • Local: Ilé Asé Igbá Ogum (rua VL 11, 219 – Nova Contagem)
  • Organizador: Ilé Asé Igbá Ogum

– 9 e 10 de maio (sábado e domingo)

  • Festa da Abolição da Comunidade Quilombola dos Arturos
  • Horários: 18h às 22h (sábado) | 5h às 22h (domingo)
  • Local: rua da Capelinha, 50 – Jardim Vera Cruz
  • Responsável: Comunidade Quilombola dos Arturos

– 11 de maio (segunda-feira)

  • Roda de conversa sobre enfrentamento ao racismo e reparação da escravidão
  • Horário: 19h às 20h30
  • Local: E.E. Governador Israel Pinheiro (rua Campos Sales, 39 – Parque Duval de Barros)
  • Responsáveis: agentes de Pastoral Negros – APNs e E.E. Governador Israel Pinheiro

– 12 de maio (terça-feira)

  • Plenária do Compir e lançamento da campanha de autodeclaração de raça/cor na saúde
  • Horário: 19h às 21h
  • Local: Escola Municipal Heitor Villa-Lobos – Inconfidentes
  • Responsáveis: Compir e Superintendência de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial/SMDHC
  • Inscrições: https://forms.gle/YShjb5ecEqdcwQfa7

– 14 de maio (quinta-feira)

  • Roda de Conversa Saúde mental na perspectiva racial: desafios históricos e contemporâneos
  • Horário: 15h
  • Local: Centro Cultural Namastreta – Eldorado
  • Responsáveis: Associação Namastreta e Cultivarte
  • – 16 de maio (sábado)
  • 11ª Marcha de Enfrentamento ao Racismo e à Intolerância Religiosa
  • Horário: 8h às 13h
  • Trajeto: praça Paulo Pinheiro Chagas até praça da Glória
  • Responsáveis: Compir e Prefeitura de Contagem

– 17 de maio (domingo)

  • Festa de São Benedito – Irmandade dos Ciriacos
  • Horário: 5h às 20h
  • Local: Irmandade de Nossa Senhora do Rosário Os Ciriacos (rua Balneário, 240 – Novo Progresso)
  • Responsável: Irmandade de Nossa Senhora do Rosário Os Ciriacos
  • – 15 a 30 de maio
  • Exposição “Políticas Afirmativas para Além das Cotas”
  • Horário: 8h às 17h
  • Local: Cras e CEU das Artes Ressaca (rua Magnólia, 100 – Arvoredo)
  • Responsáveis/curadores: João Pio; Yone Gonzaga; Cras e CEU das Artes Ressaca

– 19 de maio (terça-feira)

  • Batalha da Jabu
  • Horário: 19h às 22h
  • Local: praça Tiradentes – Centro
  • Responsável: Batalha da Jabu
  • – 20 de maio (quarta-feira)
  • Lançamento do livro “Heranças Negras”
  • Horário: 19h às 22h
  • Local: Casa Nair Mendes (praça Vereador Josias Belém, 01 – Sede)

– 21 a 30 de maio

  • Exposição “Entre a Luta e o Afeto: Mães Negras Solo”
  • Local: Casa Nair Mendes (praça Vereador Josias Belém, 01 – Sede)
  • Responsáveis: Secult e Coletivo Ubuntu
  • – 23 de maio (sábado)
  • Festival Noite Cigana – 24ª edição
  • Horário: 19h
  • Local: Instituto Droma Romaní (rua das Palmeiras 646, Térreo /Fundos – rua Palmeiras, 646 – Colonial)

– 27 de maio (quarta-feira)

  • Formação: Racismo e seus impactos na sociedade brasileira: por reparação e justiça racial
  • Público: servidores da Trasncon
  • Horário: 10h às 12h
  • Local: auditório da Transcon (av. Babita Camargos, 1295 – 2º Andar – Cidade Industrial)
  • Responsáveis: Transcon e Escola de Governo

– 27 de maio (quarta-feira)

  • Roda de Conversa: Antirracismo, reparação histórica e direito à educação
  • Horário: 19h
  • Local: Obra Social da Paróquia Nossa Senhora de Fátima (rua Barão do Rio Branco 20 Jardim Industrial)
  • Responsáveis: Coletivo Ubuntu e Cursinho Popular Consciência Industrial

– 30 de maio (sábado)

  • Louvação a Pretos e Pretas Velhos(as)
  • Horário: 18h às 22h
  • Local: praça Nossa Senhora do Rosário – Centro
  • Responsáveis: Além dos Orixás, Prefeitura de Contagem e Compir

 

Coluna Mulher – 12.04.2026 – Violência de Gênero no Currículo Escolar: informação como política de prevenção

Violência de Gênero no Currículo Escolar: informação como política de prevenção

Por Viviane França (*)

O ano de 2026 começou escancarando mais uma vez uma realidade cruel no Brasil para as mulheres. O fechamento dos dados de segurança pública do ano de 2025, reforçou que o feminicídio no Brasil cresceu exponencialmente nos últimos anos. 1568 vidas femininas foram arrancadas no último ano, o que representa uma crescente de 4,7% dos casos quando comparado ao ano de 2024, e um aumento de 14,5% em relação ao ano de 2021. O feminicídio é considerado quando o crime ocorre pelas condições do sexo feminino, em qualquer contexto de violência, menosprezo ou discriminação a mulher.

Desde a promulgação da lei 13104 de 2015, que tipificou o feminicidio no código penal brasileiro, transformando-o também em crime hediondo, ao menos 13.703 mulheres foram mortas por sua condição de gênero, o que evidencia mais uma vez o que tenho repetido, a violência contra mulheres é um problema estrutural.

O percentual de feminicídios entre os homicídios dolosos femininos saltou de 9,4% em 2015 para 40,3% em 2024 (FBSP, 2025), o que demonstra também o reconhecimento e a qualificação do crime pelas autoridades policiais responsáveis pelos registros. Proporcionalmente menos mulheres mortas em contextos urbanos e mais mulheres assassinadas em contexto familiar/doméstico/afetivo.

Os botões de pânico, as medidas protetivas, o monitoramento ostensivo das forças de segurança é fundamental neste processo, mas também precisa mais do que nunca, estar alinhado com políticas públicas muito sólidas de informação sobre o tema, educação dos meninos e meninas, de um papo direto com a juventude, com os homens, e de empoderamento, informação e autonomia financeira das mulheres.  Ou seja, enfrentar dados tão alarmantes só será possível com um conjunto de ações sérias, bem estruturadas e monitoradas.

Neste sentido uma medida importante foi tomada. O governo federal divulgou uma portaria conjunta entre os ministérios da educação e da mulher, propondo a inclusão no currículo escolar de conteúdos a prevenção e ao combate a todas as formas de violência contra meninas e mulheres. A medida quando implementada impactará aproximadamente 46 milhões de estudantes no país. A portaria determina a constituição de uma comissão via conselho nacional de educação, com o objetivo de aprimorar a grade curricular, ensinos infantil, fundamental e médio, com a abordagem dos temas.

Essa iniciativa não é uma novidade na legislação brasileira. Em 2021, a lei 14164, instituiu a semana de combate a violência doméstica nas escolas (mês de março), e fez previsão expressa da inclusão de conteúdos referentes ao combate a violência de gênero. O que até então, não vem sendo monitorado na rede de ensino.

A iniciativa ganha destaque com a pesquisa divulgada pelo DATASENADO em 2023 (10 pesquisas nacional de violência contra a mulher) que mostrou que aproximadamente 75% das meninas e mulheres acima de 16 anos desconhecem ou tem pouco conhecimento sobre as leis que combatem a violência de gênero. Desconhecendo assim consequentemente, as inúmeras modalidades de violência, o que dificulta o rompimento dos ciclos na fase inicial do problema (geralmente com a violência psicológica).

Portanto, não basta a previsão legislativa, é necessária a execução da política pública, com a efetividade do cumprimento da legislação e o monitoramento do ensino em relação aos temas. A informação tem se mostrado uma das grandes ferramentas de enfrentamento a dados tão alarmantes, porque ela é capaz de quebrar paradigmas enraizados socialmente e permitir futuras mulheres a romperem ciclos no primeiro sinal. Conscientizar meninas e meninos, é absolutamente necessário a construção social de uma geração mais informada e preparada, e de uma sociedade menos violenta.

 

*VIVIANE FRANÇA é Mulher, Advogada, Pesquisadora, Mestre em Direito Público, Especialista em Ciências Penais, autora do livro Democracia Participativa e Planejamento Estatal: o exemplo do plano plurianual no município de Contagem. Secretária de Defesa Social de Contagem/MG, Sócia do França e Grossi Advogados.