Coluna Educação – 08.02.2026 –  Dicas para ajudar o seu filho nos estudos durante o ano letivo

Por Luzedna Glece(*)

pação da família na rotina escolar é um dos fatores que mais impactam o aprendizado das crianças ao longo do ano letivo. Contudo, entre o trabalho, compromissos, cuidados com a casa e consigo próprios, acompanhar os estudos dos filhos pode parecer um desafio constante para muitos pais e responsáveis. Mas segundo especialistas, é muito importante este acompanhamento, tanto para os responsáveis sempre estarem atualizados quanto a evolução do processo de aprendizagem de seus filhos, como para os estudantes se sentirem apoiados por seus pais.

Ao longo do ano letivo, o envolvimento da família, aliado a expectativas realistas e a um ambiente de apoio, contribui para formar estudantes mais confiantes, organizados e preparados para os desafios acadêmicos e pessoais, seja dentro ou fora da sala de aula.

Para orientar pais e responsáveis, educadores reuniram, a seguir, oito dicas práticas que ajudam a fomentar nos alunos uma relação mais saudável com os estudos, fortalecendo a autonomia, o interesse pelo aprendizado e o vínculo entre família e escola.

  1. Estabeleça rotinas claras – defina horários previsíveis para a criança e o adolescente estudar, se alimentar, descansar, brincar e realizar seus hobbies. Isso ajuda o estudante a se organizar e se sentir mais seguro Rotina não é rigidez, é cuidado.
  2. Ajude seu filho a se organizar e planejar os estudos – apoiar a criação de um cronograma, definindo metas alcançáveis e pensando em estratégias para cada disciplina – desde aquelas que o estudante tem mais facilidade, até as difíceis que requerem mais dedicação – contribui para o desenvolvimento da autonomia. O papel da família é ensinar a criança a planejar, e não planejar por ela. Mostrar como dividir tarefas e estabelecer prioridades é um aprendizado que vai além da escola e que fará diferença na vida do adulto.
  3. Ofereça um ambiente de estudos e diferentes formas de aprender – Um espaço adequado – como um quarto, escritório ou cantinho apropriado – organizado, iluminado, silencioso e sem distrações, favorece a concentração durante os estudos. Além disso, o aprendizado não está obrigatoriamente apenas nos livros. Filmes, leituras, visitas a museus e até viagens ampliam o repertório cultural e tornam o aprendizado mais significativo.
  4. Participe da rotina escolar e mantenha diálogo com a escola – Estar presente em reuniões, acompanhar comunicados e manter um canal aberto com a equipe pedagógica fortalece o processo educativo. Família e escola precisam caminhar juntas. Quando há troca, alinhamento e confiança, a criança percebe que existe uma rede de apoio em torno dela.
  5. Evite estudar pelo aluno – Fazer a lição de casa ou resolver atividades no lugar da criança pode parecer ajuda, mas compromete o aprendizado. Quando o adulto interfere demais no processo de criação do conhecimento, tira da criança a chance de pensar, testar e aprender com os próprios erros.
  6. Não cobre perfeição nem sobrecarregue o estudante – O excesso de cobranças pode gerar ansiedade e insegurança, causando no indivíduo uma aversão ao conhecimento. O aprendizado é um caminho, não uma corrida. Respeitar o ritmo da criança é essencial para que ela desenvolva uma relação positiva com os estudos. Colocar pressão tem um efeito negativo e nunca é recomendado.
  7. Ofereça suporte emocional – Mais do que acompanhar as notas, é fundamental que as famílias ofereçam escuta ativa e acolhimento às frustrações e validem sentimentos. Quando o estudante se sente emocionalmente seguro, ele aprende melhor. O apoio emocional, na escola e em casa, é tão importante quanto qualquer conteúdo curricular.
  8. Reconheça e celebre as conquistas – Valorizar o esforço e as pequenas vitórias fortalece a autoestima e a motivação. O reconhecimento não precisa estar ligado apenas a resultados. Celebrar o empenho e a evolução diária ajuda a criança a perceber que aprender vale a pena. Mas é importante que esse reconhecimento esteja baseado em valores e não em recompensas materiais.

Sobre a Colunista

(*) Luzedna Glece é diretora proprietária do Colégio Avançar/CEIAV- CEIAV; Vice-presidente Câmara da Educação Infantil ACIC. Uma das fundadoras do Unidas Transformando Você. Colunista da Educação do Jornal O Folha. Formação: graduada em Pedagogia com licenciatura em Orientação, Supervisão, Séries Iniciais e Administração Escolar; pós-graduada em Psicopedagogia Clínica, Licenciatura em Magistério e Graduação em Neurociência; palestrante de temas voltados às áreas de Educação, Motivação, Relacionamentos Interpessoal e Intrapessoal; estudiosa com trabalhos reconhecidos sobre o tema Bullying; experiências profissionais: professora das séries iniciais e do curso de pedagogia, coordenadora, orientadora, diretora de redes particulares de ensino, supervisora, orientadora diretora regional do Sistema FIEMG.

Coluna Mulher – 08.02.2026 – O que aconteceu no BBB tem nome

Por Viviane França (*)

Nas últimas semanas, ganhou grande repercussão o caso de importunação sexual ocorrido na casa mais vigiada do Brasil. Uma participante relatou que foi induzida por outro participante a ir até a despensa, onde ele a segurou pelo pescoço e tentou beijá-la sem o seu consentimento. O que vimos alil não foi polêmica, não foi mal-entendido e muito menos exagero. Foi importunação sexual que, desde 2018, com a Lei nº 13.718, o Código Penal passou a tipificar como um crime. Beijo forçado, toque sem consentimento, encoxada, qualquer ato libidinoso sem anuência da vítima são crimes, com pena de 1 a 5 anos de prisão. Antes, essas violências eram tratadas como “contravenção”. Hoje, a lei é clara: consentimento não se presume, não se interpreta, não se relativiza.

É necessário dizer com todas as letras: um homem não perdeu a oportunidade de violentar uma mulher nem mesmo dentro da casa mais vigiada do Brasil, com câmeras ligadas 24 horas por dia, em rede nacional.

Se nem ali mulheres estão seguras, o problema não é a ausência de vigilância.

O problema é uma cultura misógina que naturaliza a violência e protege o agressor. Segundo o relato do próprio participante:

“Eu tava faz dias já querendo me segurar, pra não ficar olhando os outros, cobiçando os outros. As meninas, a Jordana principalmente, porque ela é muito parecida com a minha esposa. E daí hoje eu acabei caindo nisso, olhei pra ela, cobicei ela, desejei ela. E achei que ela tinha dado moral também, tinha sido recíproco, mas pelo que eu vi era só coisa da minha cabeça. Que ela falou ‘vamos ali procurar um baby liss ‘(…). E daí a gente chegou na despensa e eu tentei beijar ela. Entendi errado, não era isso que ela queria”

Em qualquer outro cenário, uma festa, um bar, um ambiente fechado com testemunhas, a resposta deveria ser imediata: polícia e prisão em flagrante. Mas quando a vítima é uma mulher, a sociedade muda a pergunta. “Será que ele entendeu errado?” “Será que foi exagero?”

Esse deslocamento é perverso. Ele transfere a culpa para quem sofreu a violência e absolve, simbolicamente, quem a praticou.

Os números escancaram que não se trata de exceção. Segundo levantamento do Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com o Ipec, 75% das mulheres nas maiores capitais brasileiras já sofreram assédio ou violência sexual. É o padrão. É estrutural.

Patologizar o agresso, falar em “surto”, “impulso” ou “falta de controle”, é outra forma de absolvê-lo. Não foi impulso. Foi uma escolha. Uma escolha sustentada por uma cultura que trata corpos femininos como disponíveis.

Por isso, não basta punir depois. É preciso prevenir, acolher e agir no momento da violência. Essa foi a lógica da Lei do “Não é Não”, que cria protocolos obrigatórios em bares, festas, eventos e casas noturnas para garantir acolhimento imediato às vítimas e responsabilização dos agressores. Violência sexual exige resposta urgente, institucional e pedagógica.

Quando o agressor simplesmente “desiste”, sai andando e a consequência é um anúncio tranquilo na programação, a mensagem que fica é devastadora: violência contra mulheres não constrange o sistema, não exige algema, não gera urgência.

Pedro, o autor do fato, será investigado. As imagens serão analisadas e o ex-participante prestará depoimento. Segundo o jornal O Globo, Pedro está internado desde o dia 21 de janeiro em um hospital especializado em tratamento para dependentes químicos e pessoas com transtornos mentais.

Não é sobre um reality show. É sobre o país que ele revela.

Enquanto o abuso for minimizado e o agressor for poupado, nenhuma mulher estará realmente segura.

 

*VIVIANE FRANÇA é Mulher, Advogada, Pesquisadora, Mestre em Direito Público, Especialista em Ciências Penais, autora do livro Democracia Participativa e Planejamento Estatal: o exemplo do plano plurianual no município de Contagem. Secretária de Defesa Social de Contagem/MG, Sócia do França e Grossi Advogados.