Por Dagmá Brandão Silva
Mestre em Ciências Sociais, escritora, professora e pedagoga. É Secretária Adjunta da Educação em Contagem. Foi diretora escolar e diretora do Centro de Formação dos Profissionais da Educação de Belo Horizonte, entre outros. Atua principalmente nos seguintes temas: educação, governança solidária, gestão educacional, gestão de pessoas, protagonismo comunitário, educação integral, territórios educativos, trabalho docente e políticas públicas.
Como professora acredito que a possibilidade de justiça social, pode ocorrer em consequência do investimento na educação, na capacitação para o trabalho e, em alguns casos, pela mobilização social, que reivindica oportunidade e inclusão de todos numa sociedade de direitos.
Usando o exemplo da educação, podemos dizer que não temos uma educação igual para todos, mas a sociedade ocidental contemporânea deveria garantir o acesso de todos à educação. Garantir acesso, permanência e aprendizagem, num sistema educacional que possibilite a toda pessoa, independente do gênero, raça ou etnia a se posicionarem de forma igualitária na sociedade, ainda é um desafio para os nossos tempos.
Giolo (2012) afirma que a educação, para os segmentos populares, sempre foi vista como precária e restrita, pois as classes dominantes tinham acesso garantido aos colégios jesuítas, liceus e internatos, grandes colégios dirigidos por ordens religiosas ou empresários laicos, todos eles de educação integral. O autor ressalta que as escolas para as classes populares não poderiam ser de tempo integral, pois eram conjugadas com o trabalho. Interessava formar mão de obra braçal, muito mais que intelectuais.
As escolas eram organizadas para alfabetizar e entregar o jovem ao mundo do trabalho braçal. Essa escola para pobres, em sua grande maioria negros, se destinava a prender os jovens a suas raízes, tornando-os bons trabalhadores. Essa escola foi reproduzida por muitos anos e talvez ainda seja produzida no Brasil. Poucas propostas apontam no sentido de uma formação diferente, que revele princípios de uma educação libertadora.
É da nossa competência reverter esse quadro histórico. Temos a possibilidade de mudar essa construção de exclusão e discriminação, somos chamados a assumir esse compromisso, a articulação entre o social e cultural requer aprofundamento sobre a vida nas cidades.
A escola como tantos outros lugares é local de sociabilidade. As relações que são estabelecidas revelam as formas de integração e pertencimento que vamos construindo na história da humanidade. Todos nós, pessoas comprometidas com o bem social, precisamos investir na constituição de políticas de promoção da igualdade racial e de gênero, criando estratégias e princípios para que toda pessoa possa se colocar no mundo com dignidade. Não podemos aceitar que uma única pessoa que seja habite o lugar da exclusão, do preconceito e da discriminação. É preciso estabelecer e naturalizar um ambiente composto por diferentes grupos que se encontram para trabalhar, produzir, relacionar, construir a vida de uma cidade para um mundo globalizado.
GIOLO, Jaime. Educação de tempo Integral - resgatando elementos históricos e conceituais para o debate. In: MOLL, Jaqueline (Org.). Caminhos da educação integral no Brasil - direito a outros tempos e espaços educativos. Porto Alegre: Penso Editora, 2012, p. 94-105.