
Com o objetivo de reduzir a transmissão da dengue e de outras arboviroses, Contagem iniciou a implementação do método Wolbachia. A estratégia consiste na liberação de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, capaz de impedir o desenvolvimento dos vírus da dengue, zika e chikungunya no organismo do mosquito, contribuindo para a redução da transmissão dessas doenças.
Na última semana, a Secretaria Municipal de Saúde recebeu representantes do Ministério da Saúde/Fiocruz e da empresa Wolbito do Brasil. O encontro contou ainda com a participação de agentes de combate às endemias (supervisores de campo), serviço de biologia, médicos-veterinários da Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) e outros profissionais envolvidos no desenvolvimento da ação.
Contagem foi um dos municípios selecionados pelo Ministério da Saúde para implementar a metodologia. Nesta etapa inicial, o projeto reuniu diferentes setores para compartilhamento de informações sobre o trabalho conjunto, alinhamento das ações, esclarecimento de dúvidas e definição do cronograma das atividades.
Etapas
As liberações dos mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia só ocorrem após um processo de comunicação e mobilização social, com o objetivo de informar a população sobre o método, seus benefícios e a segurança da estratégia. Além da realização de uma pesquisa junto aos moradores para identificar o nível de conhecimento e percepção da população sobre a iniciativa. O processo de implementação do método tem duração de aproximadamente seis meses.
A expectativa é envolver a comunidade escolar, atenção primária em saúde e desenvolvimento social, incluindo CRAS e CREAS, para iniciar a atividade. Dessa forma, um mapeamento para definição das áreas contempladas está sendo realizado.
Paralelamente, será estruturado um espaço para a instalação de um insetário especializado, destinado à criação e produção em larga escala de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia.
De acordo com a subsecretária de Vigilância em Saúde, Rejane Letro, a previsão é que a liberação dos mosquitos tenha início em setembro. “Após essa etapa, serão realizados monitoramentos quinzenais e mensais para acompanhamento e avaliação dos resultados”.
Método Wolbachia
A Wolbachia é um microrganismo intracelular presente em 50% dos insetos da natureza, mas que não estava presente no Aedes aegypti. Quando presente nestes mosquitos, ela impede que os vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela se desenvolvam dentro do mosquito, contribuindo para redução destas doenças.
Desta forma, o método Wolbachia consiste na liberação de Aedes aegypti com Wolbachia no ambiente para que se reproduzam com os Aedes aegypti locais e possam gerar uma nova população destes mosquitos, com o microorganismo. Os Wolbitos, como são chamados, não são transgênicos e não transmitem doenças. Com o tempo, a porcentagem de mosquitos que carregam a Wolbachia aumenta, até que se permaneça alta sem a necessidade de novas liberações. “Vale ressaltar que essa é uma medida complementar. O poder público e a população devem continuar fazendo todas as ações para o controle da dengue, zika e chikungunya”, conclui Letro.