
“Eu só estou vivo porque alguém me estendeu a mão.” É com essa frase que o empresário mineiro Olavo Keesen resume uma das principais lições de sua vida. Antes de construir uma das maiores empresas de estruturas para eventos do país, ele precisou enfrentar dificuldades financeiras, trabalhar desde cedo e contar com pessoas que acreditaram em seu potencial quando tudo parecia improvável.
Hoje, décadas depois, essa experiência continua orientando suas decisões, mas não apenas nos negócios. Na LOK Pirâmide, empresa fundada por Olavo e referência nacional no setor de estruturas para eventos, a oportunidade deixou de ser apenas uma palavra e se tornou parte da cultura da organização. Atualmente, mais de dez colaboradores são pessoas egressas do sistema prisional que encontraram na empresa uma nova chance para reconstruir suas trajetórias por meio do trabalho.
A iniciativa, que já auxiliou mais de 100 pessoas a retornarem ao mercado de trabalho, nasceu de uma convicção pessoal do empresário: ninguém deve ser definido para sempre pelo pior momento da própria vida. “Se eu tive pessoas que acreditaram em mim quando mais precisei, por que eu não faria o mesmo por quem está tentando recomeçar?”, costuma dizer.
No Brasil, deixar o sistema prisional não significa, necessariamente, conquistar a liberdade plena. Para milhares de pessoas, o maior desafio começa justamente após o cumprimento da pena. A dificuldade para conseguir emprego, o preconceito e a falta de oportunidades acabam alimentando um ciclo que dificulta a reconstrução da vida e favorece a reincidência.
Foi observando essa realidade que Olavo decidiu abrir espaço dentro da própria empresa para profissionais que, muitas vezes, encontravam portas fechadas em praticamente todos os lugares. Mais do que preencher vagas, a proposta é oferecer dignidade, autonomia financeira e a possibilidade de um novo começo. Na prática, isso significa confiar em pessoas que desejam escrever uma nova história, valorizando o compromisso, a dedicação e a vontade de recomeçar acima dos erros do passado.
A convivência diária também tem ajudado a transformar a percepção de muitos colaboradores. Ao compartilhar o ambiente de trabalho, constroem-se relações baseadas no respeito, na responsabilidade e nos resultados, demonstrando que a inclusão beneficia não apenas quem recebe uma oportunidade, mas toda a empresa.
Para Olavo, essa iniciativa representa uma forma concreta de retribuir aquilo que recebeu ao longo da vida. “Aprendi cedo que uma oportunidade pode mudar completamente o destino de alguém. Mudou o meu. Hoje, tenho a responsabilidade de fazer com que outras pessoas também tenham essa chance”, afirma.
Cesar Gomes, conhecido por todos como “Thor”, passou 13 anos no sistema prisional e hoje expressa sua gratidão pela oportunidade que recebeu. “Se eu continuasse naquela vida, não veria nem meus filhos crescerem. O Olavo me estendeu a mão por humanidade. Ele não quis saber do meu passado, do que eu tinha feito ou deixado de fazer. Hoje sou avô e sou grato por ele ter me dado uma oportunidade no momento em que eu mais precisava”, relata o colaborador da LOK Pirâmide.
“Quem já passou pelo sistema prisional sabe como é difícil encontrar alguém disposto a estender a mão. Por meio do Olavo, minha história, graças a Deus, mudou. Hoje tenho minha casa própria, trabalho e confiança, que é o mais difícil de reconquistar quando alguém deixa o sistema prisional. Sou muito grato por tudo o que ele fez por mim”, afirma Davidson Jacó, também colaborador da LOK Pirâmide.
Essa filosofia acompanha outras ações sociais desenvolvidas pelo empresário ao longo dos últimos anos, voltadas à saúde, à inclusão, à qualificação profissional e ao apoio a famílias em situação de vulnerabilidade. No entanto, o programa de contratação de pessoas egressas do sistema prisional possui um significado especial por representar, talvez de forma mais evidente, a crença na capacidade humana de reconstrução.
Ao abrir as portas da empresa para quem busca uma segunda chance, Olavo Keesen procura retribuir a oportunidade que um dia recebeu. Para ele, o trabalho vai além da geração de renda: representa dignidade, pertencimento e a possibilidade de recomeçar. Afinal, quem já precisou que alguém lhe estendesse a mão sabe que uma única oportunidade pode ser suficiente para transformar uma vida inteira.