Opinião – Professor Geraldo Guimarães – Ainda há esperança

Por Professor Geraldo Márcio Alves Guimarães

Temos deparado, atualmente, com um país confuso, exigindo-nos a busca de uma direção. Encontramo-nos como que perdidos num país repleto de contrastes, de discórdias, permeado por preocupante liberalidade, beneficiando sempre, abertamente, os mesmos atores. Faz–se necessário, pois, superarmos esta tal liberalidade perniciosa.

Tudo isso nos leva a um vazio existencial. O tédio e a apatia são características da contemporaneidade. Precisamos nos preencher por meio da solidariedade e do diálogo honesto, mas nosso vazio é que prevalece, marcando a perigosa rotina de vida.

O país acha-se imerso em mentiras, falsidades, ganância, corrupção, ódio, opressão, injustiças e destruição das liberdades democráticas. Esse cenário torna-o o ponto fraco da democracia. Vez ou outra tomamos conhecimento de indivíduos que incorporam essas deformidades, causando prejuízos e ou perdas irreparáveis. Daí, surgem as frustrações, as desilusões. Mas, não devemos nos desanimar nem entregar os pontos. Devemos, sim, dar a volta por cima e considerar que tais atitudes negativas poderão nos ensinar a viver. Cada dia é uma lição.

Diante desse quadro de turbulências e incertezas em que se encontra o Brasil, é indispensável e até mesmo urgente resgatar as possibilidades da dignidade humana, dos direitos humanos, da imparcialidade da Justiça, da espiritualidade, da vida associativa. Precisamos redescobrir, reinventar o homem, o humano, a fim de não sucumbirmos a tudo que realça “a esperteza”, a violência, a exclusão, o engodo e a ilegalidade. Quaisquer decisões e ações devem orientar-se por princípios que, por definição, valem para todos os homens.

Não precisamos ser perfeitos. Admitir nossa fraqueza não nos torna necessariamente fracos, mas nos faz humildes e sinceros, prontos para crescer. Quando nos alimentamos de pensamentos negativos, sem podermos nos livrar do afã de denunciar e condenar as transgressões que vemos ao nosso redor, urge procurarmos a verdade, mesmo que não a encontremos, porque ela nos trará a liberdade.

É evidente que regras são necessárias para a boa convivência em sociedade, mas, no Brasil, além de estarem totalmente dissociadas do aspecto moral, são aplicadas de forma injusta, dependendo da “importância” da pessoa e da sua capacidade financeira para contratar advogados famosos, bem relacionados com membros do poder judiciário, regiamente pagos.

O nosso país passa por uma grande e grave crise de valores. Mas, mesmo diante de tantas desditas, devemos ter o coração forte neste momento tão crucial. Não devemos deixar que destruam nossos direitos, nossa liberdade e nossos sonhos. Não podemos mais permitir que a força da corrupção, das arbitrariedades e omissões continuem a obter sucessos por acusações inventadas e fraudulentas. Tudo isso tem destruído a Justiça. O Estado, seus tribunais, seu sistema legal, estão sendo tomados pelos usurpadores da democracia.

A Justiça é um dos anseios maior da humanidade. Será que, no Brasil, nossos magistrados, nossos juristas a tem enriquecido com seus conhecimentos e decisões? Será que a nossa Justiça tem contribuído para a grandeza do país? Será que o devido processo legal, com atuação de partes, advogados e funcionários da Justiça, vem sendo praticado com a necessária conduta processual imune a desvios morais? Podem magistrados até de tribunais superiores ocupar frequentemente a mídia para manifestarem sua opinião sobre ações e processos em andamento?

A omissão, a cumplicidade ou o retardo de decisões judiciais comprometem o Poder Judiciário e desonram o próprio Estado, porque isso pode ser entendido como injustiça e a injustiça, sob qualquer forma, acomete-nos de profunda revolta. Quando uma condenação é produzida por malícia e ódio e a sentença, sem qualquer base, trata-se de pura perseguição.

Todos temos o direito de ter nossas opiniões e de fazer ouvi-las. E não é necessário sabermos se estão certas ou erradas. Só podemos proteger as nossas liberdades, protegendo a liberdade dos outros. É preciso tornar o país mais generoso e mais humano do que é. É preciso continuar no caminho da legalidade, revelando ao mundo a brutalidade, a cobiça e a insensibilidade de um grupo altamente ambicioso. É preciso envidar todos os esforços possíveis para restabelecer a voz da paz, da esperança, da fé e do futuro.

Opinião – Professor Geraldo Guimarães – Salvar a educação é salvar a sociedade

Por Professor Geraldo Márcio Alves Guimarães

É impressionante a triste escalada da banalização dos valores, das regras de má conduta e do desrespeito às autoridades em prol de uma falsa defesa de convivência democrática. Hoje, tudo é relativo; tudo é permitido.

As leis obsoletas, em vigor no país, fazem do bandido “coitadinho”, vítima da sociedade. Se menor então, nem se fala. A ele, o bandido, todos os direitos e os benefícios de uma lei caduca. Ao cidadão de bem, trabalhador, que paga impostos exorbitantes, quase nada lhe é proporcionado em termos de segurança e garantia para que produza e contribua cada vez mais para o crescimento do nosso Brasil.

Só a educação poderá modificar esse estado de coisas, mas, na realidade, o que se nota é uma total inversão de valores, em face da mercantilização do ensino, que considera o aluno cliente, com consequências funestas, tais como: reprovar é proibido; prova não prova nada; disciplina e respeito à autoridade são questões ultrapassadas. Assim, eis que surge uma geração de adultos despreparada, sem visão crítica, incapaz de enfrentar desafios e conflitos e de respeitar o outro, com toda a sua complexidade e diversidade.

O mais grave é que tudo isso ocorre com o respaldo de burocratas da educação, carreiristas descompromissados com a formação de nossa juventude, que permitem que os alunos considerem os professores seus empregados. Daí o discurso anárquico em que o aluno, sem limites e mimado, culpa tudo e todos por seus fracassos e suas frustrações, principalmente responsabilizando indevidamente o cidadão que lhe dará emprego, se arrisca nos negócios e paga impostos, como vilão e explorador, numa visão equivocada, maldosa e injusta.

Faz-se necessário destacar a precariedade das escolas públicas, incumbidas de ministrar os ensinos fundamental e médio, principalmente as das periferias, onde falta quase tudo, inclusive professores, que, por medo, se recusam a permanecer naquelas escolas, devido à recorrente violência. Muito pior no interior. Como resultado, os índices de aproveitamento escolar das crianças e dos jovens carentes são baixíssimos e alarmantes, culminando com significativa evasão escolar.

Essa ineficiência do Estado introduziu mecanismos de mercado na educação pública, enfatizando a noção de que é preciso garantir maior eficiência e eficácia ao processo educativo, o que resultaria na excelência da educação, fato que poderia se concretizar somente com a presença do setor privado.

Dentro dessa perspectiva, pode-se inferir que a expansão escolar, além de possibilitar que o ensino se realize como mercadoria, constituindo-se num empreendimento altamente lucrativo, amplia o mercado de bens e os serviços necessários à materialização da escola.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores de Ensino, com o lema “educação não é mercadoria”, vem defendendo há muitos anos a regulamentação da educação privada como bem público e concessão do Estado. Não obstante tratar-se de uma luta louvável, não podemos nos esquecer de que o setor privado contribuiu e tem contribuído para o desenvolvimento do país e a formação de qualidade de milhares de pessoas.

Contudo, é inegável a exclusão progressiva efetivada pelo sistema educacional na medida em que a maioria da população fica sem alternativas para ingressar numa Instituição de Educação Superior pública, por um motivo: o ensino público de base, precarizado, não consegue prover o aluno de condições para que passe pela barreira social representada pelo Processo Seletivo, ainda mais se se considerar que este mesmo aluno entra em disputa com os da escola particular, que conta com uma estrutura moderna e voltada para a inserção no mercado de trabalho.

Pesquisa realizada pela UNESCO, em que aponta deficiências no ensino fundamental brasileiro cujos dados constam do livro “Exclusão intraescolar nas escolas públicas brasileiras: um estudo com dados da prova Brasil”, escrito por José Francisco Soares, Izabel Costa da Fonseca, Raquel Pereira Álvares e Raquel Rangel Meireles Guimarães, conclui que há margem para a melhoria da qualidade de escolas e professores, sobretudo para os estudantes menos favorecidos, e que os estudantes excluídos do direito de aprender são aqueles expostos a professores menos qualificados e mais sobrecarregados, e os que têm acesso às piores escolas.

Por outro lado, fica claro que os alunos têm menor probabilidade de exclusão educacional quando estudam em escolas com melhores indicadores de qualidade: mais equipamentos, melhores instalações, laboratórios e bibliotecas; equipes de gestores e de professores mais coesas, menos violência escolar e baixo índice de absenteísmo de professores; salários decentes, competitivos, que venham atrair jovens para os cursos de formação de professores e implementação de medidas adequadas com vistas à solução do grave problema dos “analfabetos funcionais”.

Além do mais, é importantíssimo que as escolas ousem e introduzam em seus currículos, em todos os níveis de ensino, disciplinas com conteúdos mais condizentes com a realidade do nosso século, bem como implementem um projeto de educação voltado para a cidadania e o respeito ao outro. Lamentavelmente, a função cultural da escola, sua vertente mais nobre de transmitir valores, foi descartada nos últimos decênios. Ela não cumpre nem sua função de fazer o aluno aprender, aprender a aprender, saber fazer e saber ser, porque tem assumido outras funções que não estas. Meninos e meninas saem da escola sabendo pouco, nada sabendo fazer e, menos ainda, sabendo ser. Estas funções só poderão ser superadas por meio da educação, que é para isto que ela existe: tornar os homens felizes e, o universo, a casa comum de todos.

Escassez de talentos: um desafio estratégico para as empresas

Por Kecia Castro
Gerente de Recursos Humanos da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) e Conselheira Estratégica da Associação Brasileira de Recursos Humanos de Minas Gerais (ABRH-MG)

Nos últimos anos, a escassez de talentos tornou-se um dos maiores desafios estratégicos enfrentados pelas empresas. Com a competitividade no mercado de trabalho em alta, é crescente a dificuldade de contratar e reter profissionais qualificados. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE) aponta que seis em cada dez empresas enfrentam esses obstáculos, e 77,2% delas consideram a contratação como o principal desafio na gestão de pessoas.
Neste cenário, observamos que fatores como a exigência por salários mais altos, a preferência por trabalho remoto e a busca por uma maior coerência entre os valores pessoais dos profissionais e a cultura organizacional têm elevado ainda mais a dificuldade de encontrar o perfil ideal para diversas funções. Como resposta, muitas organizações têm investido não apenas em pacotes de benefícios mais atrativos, mas também em capacitação interna, especialmente em setores como a indústria, para suprir essa carência.
As consequências dessa escassez são amplamente visíveis: atraso nas entregas, dificuldades na conquista de novos contratos e até mesmo a repasse dos custos para os consumidores, contribuindo para a inflação de serviços. É um ciclo que impacta diretamente a produtividade das empresas e sua competitividade.
Além de fatores externos, como a globalização e o trabalho remoto, que ampliaram o acesso a talentos em qualquer parte do mundo, a transformação digital tem ampliado a demanda por profissionais com competências em áreas específicas como tecnologia e análise de dados. A combinação dessas habilidades técnicas com competências interpessoais, como inteligência emocional e pensamento crítico, se tornou um diferencial competitivo.
E, diante de tanta concorrência, a construção de uma marca empregadora forte se torna essencial. Empresas que demonstram com clareza seus valores e oferecem oportunidades reais de crescimento, além de promover um ambiente inclusivo, conseguem atrair e, principalmente, reter os profissionais mais qualificados. Investir em uma cultura organizacional que se alinha aos valores de seus colaboradores é imprescindível. Isso também inclui políticas de diversidade e inclusão, que não só ampliam o acesso a uma gama maior de talentos, mas promovem um ambiente de inovação e colaboração.
O que vemos, por fim, é que a escassez de talentos não é apenas um problema de mercado. É uma oportunidade para as empresas inovarem, adaptarem suas práticas de recrutamento e impulsionarem uma cultura de aprendizado contínuo. A construção de um ambiente de trabalho saudável, com programas de capacitação e desenvolvimento, cria não só melhores resultados a curto prazo, mas também uma base sólida para o futuro da organização.
Enfrentar a escassez de talentos é, sem dúvida, um desafio estratégico. Mas com uma visão clara e ações bem estruturadas, as empresas podem não apenas superá-lo, mas também transformar esse cenário em um diferencial competitivo duradouro.