Coluna Mulher – 01.03.2026 – O Brasil que não protege suas meninas

Por Viviane França (*)

Eu sempre tenho dito em palestras, na internet e em conversas informais que, a violência contra a mulher é uma questão estrutural. Ela está para a sociedade sem nenhuma distinção de classe ou cor e, acontece de forma cotidiana, independe da conjuntura. Não há um dia sequer que não seja noticiada algum tipo de violência contra mulheres. Os dados de segurança pública no Brasil e no mundo mostram um crescente nas mortes de mulheres e nas modalidades de violência. A violência contra mulheres se atualiza a medida em que mulheres alcançam espaços ou avançam legalmente em direitos formais, os mecanismos de combate-la não.

Na última semana repercutiu mais um caso muito emblemático no país decidido no TJMG: um homem de 35 anos foi absolvido pelo crime de estupro de vulnerável, depois da condenação em primeira instância. Um crime que estabelece pena mínima na lei de 08 anos de prisão. A menina de 12 anos, com quem o réu mantinha uma relação intima, deixou de ir à escola. A escola da criança denunciou o fato aos órgãos competentes o que deu início, através do Ministério Público, a uma ação criminal contra o réu e contra a mãe da menor. O homem foi preso em flagrante e ambos, estuprador e mãe condenados a pena de prisão. Após recurso protocolado no Tribunal de Justiça o homem e a mãe foram absolvidos pelo tribunal por 2 votos a 1. O único voto divergente foi de uma mulher, desembargadora.

Em uma das declarações da menor ela disse: “ele é bom pra mim… compra cesta básica para minha mãe”…

Por mais absurdo que pareça, essa decisão não é uma novidade na justiça brasileira. O Superior Tribunal de Justiça reformou uma decisão em 2025, afastando o crime de estupro de vulnerável de um homem de 19 anos que mantinha uma relação conjugal com uma menina de 13 anos. Ou seja, não se trata de um caso isolado no país mas, de um precedente que relativiza um crime claro e direto previsto na lei desde 2009, não apenas isso, relativiza a proteção das mulheres e sem dúvida impacta na crescente violência.  O censo do IBGE de 2022, divulgado em 2025, mostrou que aproximadamente 34 mil crianças e adolescentes vivem em união informal no Brasil. A pesquisa mostra que 87% dessas uniões acontece de forma “consensual” e 80% são meninas, destacando mais uma vez a vulnerabilidade feminina também nesta fai-xa etária.

Já existe entendimento legal que uma criança não é capaz de consentir, fazendo com que o estupro de vulnerável seja presumido ainda que a criança não reconheça que foi violentada.

A repercussão do caso levanta uma série de questões. Inicialmente a relativização pela justiça brasileira, o terceiro poder do Estado Democrático, do avanço legal do direito das mulheres. Meninas menores que 14 anos não consentem, não são mães, não trabalham e não podem ser negociadas como mercadorias de troca. Elas são crianças com garantias fundamentais: como a de brincar… uma vez violentadas, já estão no cenário doloroso e crescente de violência, dentro do ciclo vicioso. Direito adquirido não é brincadeira e não pode ser relativizado.

Outra questão é o problema estrutural do Brasil que acomete as mulheres desde a infância: a violência generalizada e indiscriminada. Demonstra que esta não é resolvida unicamente pelas leis vigentes, estas estão sendo relativizadas.

Outro ponto fundamental é a sub-representação feminina em locais de fala, de decisão e, consequentemente de avanços reais ao direito das mulheres. Uma triagem dos casos mostra que a divergência incisiva parte de mulheres em posição de divergir. Seja no judiciário, seja no legislativo, seja no executivo. Mas, as mulheres estão perdendo espaços conquistados. O STF, instância máxima da justiça, conta, entre as 11 cadeiras, apenas com uma mulher. Nas duas últimas oportunidades de indicação, os indicados foram homens. Perde representação feminina ao invés de aumentar, caminhando para ser um tribunal exclusivamente masculino. A sub-representação também é constatada nas instâncias inferiores, no legislativo e no executivo.

O desafio é social (de todos) mas, protagonizado por nós mesmas: mulheres. Maioria da população, maioria do eleitorado, maioria no letramento e as vítimas do sistema patriarcal. O que temos feito e o que mais faremos?

*VIVIANE FRANÇA é Mulher, Advogada, Pesquisadora, Mestre em Direito Público, Especialista em Ciências Penais, autora do livro Democracia Participativa e Planejamento Estatal: o exemplo do plano plurianual no município de Contagem. Secretária de Defesa Social de Contagem/MG, Sócia do França e Grossi Advogados.

Coluna Educação – 01.03.2026 – Porque apostar em uma educação bilíngue?

Porque apostar em uma educação bilíngue?

Por Luzedna Glece(*)

Em um mundo que exige muito mais do que o domínio de conteúdos tradicionais, a adaptabilidade, criatividade, pensamento crítico e capacidade de aprender continuamente tornam-se habilidades indispensáveis. Nesse cenário, cresce o número de escolas que oferecem uma formação internacional e bilíngue, capaz de preparar o aluno para os desafios contemporâneos.

Sustentadas em uma proposta que vai além do vestibular, hoje as escolas têm como objetivo formar indivíduos completos e preparados para o mundo. Isso significa ir além das habilidades tradicionais: a educação contemporânea precisa estimular competências que permitam aos jovens pensar de forma crítica, resolver problemas complexos, criar, colaborar e se comunicar com clareza. São as chamadas “competências do século XXI”, como orienta a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e cada vez mais indispensáveis no cenário global.

Segundo pesquisa da SOMOS Educação, 76% das famílias têm grande expectativa quanto à preparação de seus filhos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e os vestibulares mais concorridos, enquanto 63% consideram muito importante também o desenvolvimento da fluência em inglês ainda na escola. Isso mostra um avanço significativo na procura por uma educação internacional.

Assim, investir em um colégio global pode incentivar a autonomia intelectual e emocional dos estudantes, além de oferecer a eles ferramentas para aprender, inovar e se conectar sem fronteiras. Na hora da escolha, no entanto, é importante que os responsáveis avaliem alguns pontos fundamentais, selecionando uma escola capaz de oferecer uma formação completa. Confira:

1 – Qualidade do ensino – Para garantir um ensino de excelência, o primeiro passo está em se atentar à formação e capacitação dos professores. O indicado é preferir instituições que não só contratem bons profissionais, mas também invistam na formação contínua de seus colaboradores.

2 – Formação internacional – Além disso, o desempenho em vestibulares dentro e fora do país também reflete a capacitação e a educação dos jovens. É essencial observar se a proposta pedagógica é coerente, atualizada e capaz de desenvolver não apenas o conteúdo acadêmico, mas também as habilidades cognitivas necessárias para a formação integral dos alunos.

3 – Preparação para um mundo global – Uma formação voltada para o mundo global também envolve o estímulo ao repertório cultural, à consciência social e à vivência prática de contextos internacionais desde cedo, desenvolvendo empatia, responsabilidade e capacidade de atuação em ambientes diversos.

Uma boa escola hoje deve oferecer não só excelência acadêmica, mas também preparar o aluno para os desafios de um mundo em constante mudança.  Mais do que conteúdo curricular, uma escola de qualidade precisa estimular a capacidade crítica, autonomia e habilidades socioemocionais dos estudantes, formando jovens capazes de liderar, colaborar e inovar dentro e fora da sala de aula.

4. Educação bilíngue – Nos últimos anos, a necessidade de um ensino bilíngue também cresceu de forma expressiva. Isso se torna ainda mais relevante considerando que, atualmente, pesquisas apontam que apenas pouco mais de 10% dos brasileiros se consideram fluentes em inglês.

Mais do que oferecer aulas de inglês, uma instituição de ensino com uma proposta bilíngue cria o hábito de aprender em inglês. Um projeto pedagógico que una alta performance acadêmica e bilinguismo, equilibrando o domínio da língua inglesa com a excelência da formação geral básica é o ideal. O resultado dessa proposta de ensino é um aluno que domina as competências cognitivas, comunicativas e socioemocionais necessárias para prosperar em qualquer contexto.

Sobre a Colunista

(*) Luzedna Glece é diretora proprietária do Colégio Avançar/CEIAV- CEIAV; Vice-presidente Câmara da Educação Infantil ACIC. Uma das fundadoras do Unidas Transformando Você. Colunista da Educação do Jornal O Folha. Formação: graduada em Pedagogia com licenciatura em Orientação, Supervisão, Séries Iniciais e Administração Escolar; pós-graduada em Psicopedagogia Clínica, Licenciatura em Magistério e Graduação em Neurociência; palestrante de temas voltados às áreas de Educação, Motivação, Relacionamentos Interpessoal e Intrapessoal; estudiosa com trabalhos reconhecidos sobre o tema Bullying; experiências profissionais: professora das séries iniciais e do curso de pedagogia, coordenadora, orientadora, diretora de redes particulares de ensino, supervisora, orientadora diretora regional do Sistema FIEMG.

Coluna Educação – 22.02.2026 – Gestão do tempo e organização dos estudos: caminhos para desenvolver autonomia e hábitos eficientes

Gestão do tempo e organização dos estudos: caminhos para desenvolver autonomia e hábitos eficientes

Por Luzedna Glece(*)

Em um mundo marcado por excesso de informações, múltiplas tarefas e constantes distrações digitais, aprender a administrar o tempo tornou-se uma competência essencial para os estudantes. A gestão do tempo e a organização dos estudos não dizem respeito apenas a cumprir tarefas escolares, mas ao desenvolvimento da autonomia, da responsabilidade e da capacidade de planejar o próprio aprendizado.

Quando o aluno aprende a organizar sua rotina, estabelecendo horários, prioridades e metas realistas, ele passa a compreender melhor suas responsabilidades e a evitar a procrastinação. Estratégias simples, como o uso de agendas, cronogramas semanais, listas de tarefas e divisão das atividades em etapas menores, contribuem significativamente para tornar o estudo mais produtivo e menos estressante. Além disso, a criação de um ambiente adequado, silencioso e livre de distrações, favorece a concentração e melhora o rendimento.

Outro aspecto importante é ensinar os estudantes a definir prioridades e reconhecer o tempo necessário para cada tarefa. A técnica de estudar em blocos curtos, com pausas regulares, pode aumentar a atenção e facilitar a memorização. Da mesma forma, incentivar o planejamento antecipado para provas e trabalhos evita acúmulos de conteúdo e promove maior segurança na aprendizagem.

A escola e a família desempenham papel fundamental nesse processo. Professores podem orientar os alunos sobre como planejar os estudos e acompanhar o cumprimento das tarefas, enquanto os responsáveis podem ajudar na criação de rotinas equilibradas em casa. Quando o estudante percebe que consegue cumprir suas metas, desenvolve autoconfiança, disciplina e senso de responsabilidade.

Assim, mais do que melhorar o desempenho escolar, a gestão do tempo e a organização dos estudos contribuem para a formação de indivíduos autônomos, capazes de planejar suas ações e lidar com os desafios acadêmicos e da vida cotidiana de maneira mais equilibrada e eficiente.

 

Fonte: Adaptado de estudos sobre hábitos de estudo e autorregulação da aprendizagem, como os trabalhos de Barry Zimmerman sobre aprendizagem autorregulada e orientações pedagógicas do Instituto Reúna e  UNESCO sobre competências  – para o século XXI.

 

Sobre a Colunista

(*) Luzedna Glece é diretora proprietária do Colégio Avançar/CEIAV- CEIAV; Vice-presidente Câmara da Educação Infantil ACIC. Uma das fundadoras do Unidas Transformando Você. Colunista da Educação do Jornal O Folha. Formação: graduada em Pedagogia com licenciatura em Orientação, Supervisão, Séries Iniciais e Administração Escolar; pós-graduada em Psicopedagogia Clínica, Licenciatura em Magistério e Graduação em Neurociência; palestrante de temas voltados às áreas de Educação, Motivação, Relacionamentos Interpessoal e Intrapessoal; estudiosa com trabalhos reconhecidos sobre o tema Bullying; experiências profissionais: professora das séries iniciais e do curso de pedagogia, coordenadora, orientadora, diretora de redes particulares de ensino, supervisora, orientadora diretora regional do Sistema FIEMG.