Coluna Educação – 24.05.2026 – 20 de maio, Dia do Pedagogo
Por Luzedna Glece(*)
Celebrado no Brasil no dia 20 de maio, o Dia do Pedagogo é uma data que convida à reflexão sobre uma das profissões mais centrais e desafiadoras da educação. Em um contexto marcado por rápidas transformações tecnológicas, mudanças no perfil dos estudantes e novas demandas da sociedade, o papel do pedagogo tem se expandido significativamente, ultrapassando os limites da sala de aula e assumindo uma função estratégica na construção de experiências de aprendizagem mais significativas, humanas e conectadas com o futuro.
O curso de Pedagogia foi instituído oficialmente no Brasil em 4 de abril de 1939, através do Decreto-Lei nº 1.190. De acordo com o Censo da Educação Superior de 2024, o curso de pedagogia era o que contava com mais alunos matriculados em cursos de graduação: 878,7 mil estudantes buscando a formação de pedagogo, de um universo total de 10 milhões de universitários brasileiros.
O papel do pedagogo
Muito além da docência, o pedagogo ocupa hoje um papel estruturante dentro das instituições de ensino. O profissional é responsável por planejar, implementar e avaliar práticas educativas, atuando na organização do currículo, formação de professores, acompanhamento do de-senvolvimento dos alunos e articulação entre escola e família.
Mais do que transmitir conteúdos, esse profissional participa ativamente da construção de ambientes de aprendizagem que promovem autonomia, pensamento crítico e desenvolvimento integral. É ele quem organiza intencionalmente os processos educativos, garantindo coerência entre proposta pedagógica, práticas em sala de aula e objetivos de aprendizagem. É o pedagogo quem ajuda a transformar diretrizes educacionais em práticas concretas, que façam sentido para os estudantes.
A complexidade do cotidiano escolar na atualidade é um dos principais desafios do pedagogo, que hoje lida com múltiplas demandas ao mesmo tempo: desempenho acadêmico, desenvolvimento socioemocional, uso consciente da tecnologia e inclusão. É um cenário que exige preparo técnico, sensibilidade e equilíbrio emocional.
Tecnologia, inteligência artificial e novas formas de ensinar
A transformação digital tem redefinido o papel do pedagogo, que passa a atuar também como mediador entre tecnologia e aprendizagem. Mais do que incorporar ferramentas digitais, o desafio está em utilizá-las de forma intencional e pedagógica.
A tecnologia deve ser vista como aliada do processo educativo, e não como substituta. Nesse contexto, competências como pensamento crítico, criatividade e capacidade de análise tornam-se ainda mais centrais, tanto para alunos quanto para os educadores.
Desta forma, o pedagogo tem um papel fundamental na curadoria de conteúdos e na escolha de estratégias que realmente potencializem a aprendizagem. Com a chegada da inteligência artificial, esse papel se torna ainda mais estratégico, porque é preciso garantir sentido, ética e qualidade no uso dessas ferramentas.
Além do desempenho acadêmico, o trabalho pedagógico envolve o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como empatia, autonomia, resiliência e responsabilidade, competências fundamentais para a formação de cidadãos preparados para os desafios contemporâneos.
Outro aspecto cada vez mais central na atuação do pedagogo é a relação com as famílias. A parceria entre escola e responsáveis torna-se fundamental. É preciso construir um diálogo constante com as famílias, alinhando expectativas e estratégias para apoiar o desenvolvimento dos estudantes de forma integral.
Diante de tantas responsabilidades, a valorização do papel do pedagogo e o investimento na formação contínua desses profissionais deixa de ser um diferencial e passa a ser uma necessidade.
O pedagogo é peça-chave para a construção de uma educação de qualidade. Reconhecer sua importância, oferecer condições adequadas de trabalho e investir em desenvolvimento profissional são passos essenciais para assegurar a transformação da educação, contribuindo para a formação de indivíduos mais críticos, conscientes e preparados para o futuro.
Sobre a Colunista
(*) Luzedna Glece é diretora proprietária do Colégio Avançar/CEIAV- CEIAV; Vice-presidente Câmara da Educação Infantil ACIC. Uma das fundadoras do Unidas Transformando Você. Colunista da Educação do Jornal O Folha. Formação: graduada em Pedagogia com licenciatura em Orientação, Supervisão, Séries Iniciais e Administração Escolar; pós-graduada em Psicopedagogia Clínica, Licenciatura em Magistério e Graduação em Neurociência; palestrante de temas voltados às áreas de Educação, Motivação, Relacionamentos Interpessoal e Intrapessoal; estudiosa com trabalhos reconhecidos sobre o tema Bullying; experiências profissionais: professora das séries iniciais e do curso de pedagogia, coordenadora, orientadora, diretora de redes particulares de ensino, supervisora, orientadora diretora regional do Sistema FIEMG.
Coluna “Uai Bora Cozinhar” – 24.05.2026 – Macarrão na chapa com tilápia
Coluna Mulher – 24.05.2026 – Melhor fase
Por Viviane França (*)
Completei 40 anos no último dia 07/05. Taurina, raiz, sem cirurgias estéticas (eu, particularmente, não gosto), bem resolvida, até demais. Resolvi escrever porque tenho ouvido muito das pessoas a expressão: “você está na sua melhor fase, Vivi! Bonita, feliz, cheia de luz”. Feliz eu estou, mas ouvir isso de tantas pessoas, algumas muito próximas, outras que me conhecem menos, me fez refletir bastante sobre a expressão “melhor fase” e o quanto é complexa a definição de felicidade.
Qual seria a melhor fase da vida de uma mulher? Os 40 anos, os 50, os 20? A partir desse questionamento, que fiz a mim mesma, refleti sobre a minha história de vida e o quanto a felicidade se simplifica à medida que os anos passam.
Quando eu tinha mais ou menos 12 anos de idade, estava brincando com os meus primos na rua, no bairro Monte Castelo, em Contagem, quando vi uma mulher parar o seu carro em frente à garagem da sua casa, descer, com os pés descalços, um short e os cabelos longos soltos e abrir o portão. Em seguida, ela retornou ao carro, manobrou o veículo para dentro da garagem e fechou o portão. Aquela cena, uma mulher, sozinha, no seu carro, me trouxe a sensação de uma liberdade tão avassaladora que aumentou o meu desejo de ser assim… livre, ao volante, absolutamente independente. O meu desejo de tirar a carteira de motorista e ter um carro só cresceu a partir daquele momento. Eu era uma menina, no ensino fundamental, de família humilde, aluna de escola pública, que só brincava na rua naquele instante.
Fui determinada e, quando completei 18 anos, juntei tudo o que pude para tirar a minha carteira de motorista, conquistada logo depois de completar 19 anos. Saí daquele exame com o comprovante de aprovação numa felicidade tão grande que não tenho dúvidas: aquele foi um dos dias mais felizes da minha vida. E olha que eu não tinha carro e nem perspectiva de ter um naquele momento.
Nas férias, quando dirigia o carro do meu avô rumo à Paraopeba, pra roça, eu me sentia a dona do mundo, com apenas 19 anos de idade, somente ele e eu pela BR-040. Chegava lá, arrumava a casa, fazia o almoço, varria o quintal, capinava, debulhava o milho. Eram dias agitados, de trabalho braçal intenso, mas eu me sentia absolutamente feliz. Quando íamos à cidade comprar algo, eu ia dirigindo (ele já não dirigia mais) e achava aquela independência incrível, somada à confiança que ele depositava em mim ao me ceder o seu carro. E assim foram inúmeros momentos marcantes.
Depois, me formar na faculdade, a duras penas, como bolsista integral, e receber o título de destaque acadêmico do curso, uma única distinção em um universo de 60 formandos, me fez passar mal. Passar mal de felicidade!
Poderia descrever mais dezenas de episódios como os dias mais felizes e os melhores momentos da minha vida, mas utilizei esses exemplos para uma reflexão: vocês já pararam para pensar que a vida é um carrossel de melhores momentos? Sem dúvida, chegar aos 40 anos com grande parte das minhas metas cumpridas me faz transbordar satisfação e felicidade. Não apenas por isso, mas por compreender, com mais maturidade, as pequenas coisas que de fato importam. Por ter aprendido, ao longo do percurso, o meu tamanho no mundo: nem mais, nem menos. Uma lição que cabe a todas as mulheres, porque é a partir daí que deixamos de nos abalar pelo que não importa e não fará diferença em nossas vidas.
Não precisar mais contar as moedas para comprar o refresco no horário do lanche e, agora, poder fazer com mais liberdade o que me faz sentir bem… Acho que sim: estou em mais uma melhor fase, de tantas melhores fases colecionadas ao longo da vida. Todas igualmente importantes, porque me completam e me definem como a mulher de 40 que me tornei.
Viver é, além de revolucionário, um ato de coragem, especialmente para as mulheres. Que possamos entender que a nossa história, formada por alegrias e cicatrizes, nos faz únicas, originais e completamente fora da curva! Viva os 40+!
*VIVIANE FRANÇA é Mulher, Advogada, Pesquisadora, Mestre em Direito Público, Especialista em Ciências Penais, autora do livro Democracia Participativa e Planejamento Estatal: o exemplo do plano plurianual no município de Contagem. Secretária de Defesa Social de Contagem/MG, Sócia do França e Grossi Advogados.